M&A em 2026: o que deve moldar o próximo ciclo de investimentos no Brasil

09/07/2026

A expectativa de um ambiente macroeconômico mais favorável indica que 2026 poderá representar um novo momento para o mercado brasileiro de fusões e aquisições (Mergers and Acquisitions – M&A). A combinação entre a perspectiva de redução da taxa básica de juros e a maior disponibilidade de capital tende a restabelecer condições mais propícias para operações de crescimento inorgânico, interrompendo o cenário de cautela observado nos últimos anos.

Todavia, a retomada do mercado não significa um afrouxamento dos critérios de investimento. Ao contrário, a maior oferta de recursos deverá ser acompanhada de processos de seleção mais rigorosos, privilegiando empresas que apresentem estruturas sólidas de governança, elevado grau de transparência e adequada gestão de riscos.

A expectativa de maior liquidez tende a ampliar o número de investidores dispostos a realizar aquisições. Entretanto, esse movimento não implica maior tolerância a fragilidades empresariais.

Elementos que anteriormente eram considerados diferenciais competitivos — como governança corporativa estruturada, programas efetivos de compliance, controles internos, demonstrações financeiras confiáveis e processos organizacionais bem definidos — passam a constituir requisitos essenciais para a conclusão das negociações.

Em consequência, empresas que não tenham investido previamente em organização societária, gestão e transparência poderão enfrentar dificuldades para atrair interessados ou justificar avaliações mais elevadas.

A participação de investidores internacionais tende a permanecer expressiva no mercado brasileiro, impulsionada pelo potencial de crescimento de diversos setores da economia nacional.

Este interesse, contudo, será acompanhado da aplicação de padrões internacionais de avaliação, especialmente no que diz respeito à conformidade regulatória, à governança corporativa, às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), à integridade empresarial e à estrutura societária.

Não raramente, é durante a fase de due diligence que surgem inconsistências capazes de comprometer uma operação, como documentação societária incompleta, passivos fiscais, dependência excessiva dos sócios fundadores, ausência de mecanismos formais de tomada de decisão ou deficiência nos controles internos. Essas circunstâncias podem resultar tanto na redução do valuation quanto na inviabilização da transação.

O segmento conhecido como middle market continua reunindo características que despertam o interesse de investidores estratégicos e fundos de investimento.

Empresas com atuação consolidada, presença regional relevante e espaço para expansão costumam representar oportunidades atrativas, sobretudo porque combinam histórico operacional consistente com potencial de geração de valor após processos de profissionalização.

Para muitos empresários, operações de M&A também deixam de representar apenas uma estratégia de saída e passam a constituir instrumento para acelerar o crescimento da empresa, captar recursos, fortalecer a gestão e ampliar competitividade.

Nesse cenário, organizações capazes de aliar inovação, governança corporativa e estabilidade operacional tendem a apresentar melhores condições para negociar investimentos em termos mais favoráveis.

Em um ambiente de maior competitividade entre investidores, a realização de uma due diligence abrangente torna-se indispensável.

Além da análise financeira, assumem especial relevância a verificação de aspectos societários, tributários, trabalhistas, regulatórios, contratuais, ambientais e de propriedade intelectual, permitindo identificar riscos capazes de impactar a precificação da operação ou gerar contingências futuras.

Também se observa uma tendência de utilização mais frequente de mecanismos contratuais destinados à distribuição equilibrada dos riscos entre comprador e vendedor, como cláusulas de ajuste de preço, earn-out, declarações e garantias (representations and warranties) e obrigações indenizatórias específicas.

Paralelamente, empresas interessadas em receber investimentos deverão iniciar com antecedência um processo estruturado de preparação, envolvendo regularização documental, revisão contratual, fortalecimento dos programas de compliance, aperfeiçoamento dos controles internos, organização societária e implementação de práticas formais de governança.

A conclusão do contrato representa apenas uma das etapas da operação de M&A. A efetiva geração de valor depende da capacidade de integração entre as organizações envolvidas.

Questões relacionadas à compatibilidade cultural, retenção de profissionais estratégicos, integração tecnológica, unificação de processos e alinhamento das equipes frequentemente determinam o sucesso — ou o fracasso — da operação.

Por essa razão, o planejamento do processo de integração (Post-Merger Integration – PMI) vem assumindo papel cada vez mais relevante desde as fases iniciais da negociação, permitindo que os benefícios econômicos projetados sejam efetivamente capturados após o fechamento.

O ambiente esperado para 2026 tende a favorecer a retomada das operações de fusões e aquisições, impulsionado pela melhora das condições de financiamento e pelo aumento da liquidez.

Entretanto, o mercado deverá distinguir com maior clareza empresas preparadas daquelas que ainda operam com estruturas pouco profissionalizadas. Investidores estarão menos dispostos a assumir riscos decorrentes de falhas de governança, passivos ocultos ou deficiência de controles internos.

Neste contexto, a preparação prévia deixa de representar mera boa prática e passa a constituir elemento estratégico para maximizar valor, ampliar a atratividade da empresa e aumentar a probabilidade de sucesso em futuras negociações. Em um mercado mais seletivo, a capacidade de demonstrar organização, transparência e segurança jurídica poderá ser tão relevante quanto os indicadores financeiros na definição do êxito de uma operação de M&A.

Fonte: https://jornalempresasenegocios.com.br/mercado/cinco-movimentos-que-devem-marcar-o-mercado-de-ma-em-2026/