M&A no setor de mineração brasileiro movimentam US$ 8,2 bilhões desde 2025

08/10/2026

As operações de fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil movimentaram aproximadamente US$ 8,2 bilhões desde janeiro de 2025, impulsionadas pela crescente relevância estratégica dos minerais críticos e pelo movimento de grandes mineradoras de revisão e reorganização de seus portfólios.

Levantamento da Alvarez & Marsal identificou 13 transações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, além de outras operações de menor porte ou sem valores públicos. Somente em 2026, os negócios anunciados alcançaram US$ 5,9 bilhões, frente aos US$ 2,3 bilhões registrados em todo o ano anterior.

As terras raras estão entre os principais vetores desse movimento. A aquisição da Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, concluída em setembro, foi avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. Já a australiana Lynas anunciou acordo para adquirir a Meteoric Resources, controladora do projeto Caldeira, em Minas Gerais, por cerca de US$ 672 milhões.

O movimento, contudo, ultrapassa esse segmento. Entre as principais operações estão a aquisição da participação de 64,7% da Votorantim na Nexa Resources pela sueca Boliden, por US$ 1,31 bilhão; a venda de ativos brasileiros de ouro da Equinox Gold para a chinesa CMOC, por até US$ 1,015 bilhão; e a operação envolvendo Chalco e Rio Tinto que resultará na transferência do controle da CBA, avaliada em US$ 903 milhões.

Também chama atenção a crescente participação de grupos chineses, que respondem por aproximadamente 30% do valor anunciado no período, além do movimento de desinvestimento de grandes mineradoras, como Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e Votorantim.

Do ponto de vista regulatório, a nova estrutura brasileira para análise de projetos relacionados a minerais críticos acrescenta uma camada adicional de avaliação às operações consideradas estratégicas. Paralelamente, empresas do setor vêm ajustando seus projetos à perspectiva de maior verticalização da cadeia mineral no Brasil, com potencial impacto sobre futuras decisões de investimento e estruturação de negócios.

O cenário indica a possibilidade de continuidade do ciclo de M&A no setor. Entre as operações em perspectiva estão a potencial venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, estimada em aproximadamente US$ 5 bilhões, além de processos envolvendo a BAMIN e participação minoritária na LHG Mining.

A combinação entre demanda global por minerais críticos, reorganização de portfólios, entrada de investidores estrangeiros e evolução do ambiente regulatório tende a manter a mineração entre os setores de maior relevância para operações de M&A no Brasil.

Nosso time de Direito Societário e M&A está à disposição para assessorar empresas e investidores em suas operações e decisões estratégicas.

Fonte: CNN Brasil