O mercado brasileiro de fusões e aquisições apresentou maior concentração de capital em operações de grande porte no primeiro semestre de 2026. Foram registradas 593 transações no período, redução de aproximadamente 35% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o valor agregado dos negócios cresceu 15%, alcançando US$ 32,6 bilhões, segundo levantamento da Aon, em parceria com a TTR Data e a Datasite.
O resultado evidencia um cenário de maior seletividade por parte dos investidores, que vêm direcionando recursos para ativos estratégicos, empresas com maior previsibilidade de receitas e negócios com potencial de crescimento de longo prazo. A cautela também é influenciada pelo ambiente macroeconômico e pelas incertezas associadas ao cenário eleitoral brasileiro.
O segmento de M&A tradicional concentrou a maior parcela do capital movimentado, com US$ 20,3 bilhões em 297 operações. Na sequência, destacaram-se as transações de private equity, com US$ 6,5 bilhões, e as aquisições de ativos, que movimentaram US$ 4,4 bilhões.
Em relação aos setores, tecnologia, software e serviços de TI lideraram em número de operações, com 104 transações, seguidos pelo mercado imobiliário, com 98 negócios. Também ganharam relevância operações relacionadas a energia, biocombustíveis e minerais estratégicos, refletindo o interesse crescente por ativos associados à transição energética e à infraestrutura tecnológica.
Entre as operações de maior destaque estão a aquisição da mineradora Serra Verde por aproximadamente US$ 2,8 bilhões e a compra da FS Bioenergia por cerca de US$ 1 bilhão, movimentos que reforçam o interesse de investidores nacionais e estrangeiros por ativos considerados estratégicos para a economia global.
O cenário aponta para um mercado de M&A menos orientado pelo volume de transações e mais pela qualidade e relevância estratégica dos ativos, tendência que pode permanecer ao longo do segundo semestre diante das condições econômicas e das incertezas do ambiente político.